segunda-feira, 29 de março de 2010

Amor Doentio


O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, [...] não procura os seus interesses. 1 Coríntios 13:4, 5


Um rapaz se apaixonou por uma linda moça. E se enamorou dela a ponto de adoecer. Não conseguia mais dormir, emagrecia a olhos vistos, e ficou com a aparência de um doente.


Esse rapaz tinha um primo muito astuto. E este, ao visitá-lo, lhe perguntou: “O que está acontecendo com você, que fica cada dia mais magro? Por que você não me conta?” E o moço lhe contou que estava apaixonado por uma irmã sua, por parte de pai, e não sabia como se aproximar dela, pois ela não saía da casa da mãe.


Então o primo lhe deu uma ideia: “Vá para a cama e finja que está doente. Quando seu pai for visitá-lo, peça-lhe que mande sua irmã preparar-lhe comida. Daí você sabe o que fazer.”


Ele assim fez. Quando a irmã chegou, mandou que todos saíssem e pendurou na porta uma placa: “Não perturbe.” Ela, sem desconfiar de nada, entrou no quarto dele para dar-lhe a comida. Então foi estuprada.


O nome do rapaz era Amnom, filho do rei Davi, e sua irmã se chamava Tamar. A narrativa completa não está nos jornais de notícias populares, mas em 2 Samuel 13, e foi incluída nas Sagradas Escrituras para mostrar as trágicas consequências que os defeitos dos pais trazem sobre os filhos.


Quando Davi soube o que havia acontecido, ficou furioso, mas não teve autoridade moral para punir o crime sexual do filho, pois ele próprio havia dado mau exemplo, sendo culpado de adultério e homicídio. Segundo a legislação, Amnom devia ser morto, mas como filho do rei, possuía “imunidade diplomática”, e o seu crime só não terminou em “pizza” porque Absalão, irmão de Tamar, fez justiça com as próprias mãos, matando Amnom dois anos depois. Posteriormente, Absalão também foi assassinado. E essa sequência de crimes cumpriu a profecia de Natã, de que a espada não se apartaria da casa de Davi (2Sm 12:10).


A história também mostra que o “amor” de Amnom por Tamar não passava de uma paixão doentia, de caráter passageiro, que buscava apenas a gratificação sexual. Tanto é que, logo após conseguir o que queria, Amnom sentiu por ela uma aversão maior do que o amor que lhe votara. E a expulsou à força, cometendo o segundo ato de violência.


A paixão é irracional e dura pouco. O amor é racional e duradouro. Ele restaura, exalta e age com bondade.


Scheffel, Rubem M. Meditações diárias: com a eternidade no coração. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira.

9 comentários:

jotapeh9907 disse...

Quando eu comecei a ler, acreditava que se tratava de um clássico da Literatura conteporãnea.
Fiquei maravilhado ao reconhecer a história bíblica (trágica e triste) da família de David
Parabéns pelo Post

prjulio disse...

Não é a toa que há um provérbio dizendo que "tomará alguém fogo no seio sem que se queime"?
Boa postagem!
Um abraço.

Rosana Madjarof disse...

Adolfino,

É sempre um presente poder ler seus textos, trazendo sempre um conteúdo significativo.

Os filhos são reflexos de seus pais, e se os pais não souberem educar e indicar os caminhos do bem, tudo pode acontecer.

O problema maior é que vemos estas cenas todos os dias em noticiários de jornais e TVs. São pais que estrupam suas própias filhas, e muitas delas geram filhos de seus próprios pais. Os filhos que matam seus pais pela ganância do dinheiro, ou apenas por um trocado para compras drogas, e assim vamos vendo tantas coisas ruins acontecerem...

Infelizmente, é esse o mundo que estamos vivendo, e demos pedir ao Pai que nos fortaleça e que ampare essas criaturas sempre.

Parabéns pela belíssima postagem.

Bjs.

Rosana.

Clarice disse...

Nossa que história... Muito bom seu blog... comenta no meu também! Bj

Histórias & Estórias disse...

Quando comecei a ler, pensava em um amor possessivo e não uma falta completa de completa de amor.

Quem faz isto não ama nada. Nem a si mesmo, porque nem animal é.

De qualquer forma gostei da forma com que retratou uma história bíblica. Atual e muito triste.

Obrigada.

valéria

blogdacomentarista disse...

Oi Pastor, lendo essa sua triste história, fiquei me perguntando se estamos conseguindo evoluir por aqui... A natureza humana parece que insiste em permanecer inalterada, não importa quanto a Ciência e a Tecnologia avancem... Racionalmente percebemos um certo progresso, mas espiritualmente ainda somos tão imaturos...

Vejo duas lições nesta sua postagem:

Primeira, ela é um alerta para que possamos perceber que um sentimento que maltrata, exige, fere, magoa ou que nos torna infelizes, não pode ser chamado de amor. O amor traz leveza, alegria e só se realiza plenamente com a felicidade do outro. Qualquer coisa diferente disso é apenas reflexo do nosso próprio egoísmo.

Segunda, a influência familiar na nossa vida é muito mais forte do que se imagina, às vezes. Muitas das pessoas com desvio de comportamento grave, possuem histórico de violência familiar.

Alguns que nascem em ambientes conturbardos, conseguem sair ilesos e decidem criar os filhos de forma totalmente oposta à que foram criados. Estem tiveram a força de tranformar a adversidade em aprendizado e são dignos da nossa admiração.

Mas outros não conseguem ter a mesma força. E, ao contrário, parece que descontam nos filhos ou em qualquer pessoa, todas as agressões e humilhações que sofreram no lugar que lhes deveria ter servido de ninho protetor. Sem falar que se tornam péssimos exemplos.

E isso parece criar um terrível efeito dominó, passando de pai para filho, até que alguém consiga romper esta corrente. Estes algumas vezes, comentem atrocidades e nos causam horror. Mas precisam de muita ajuda...

E penso que quando mais estivermos voltados para o Bem e conectados com as Forças Celestes, mais chances teremos de livrar nosso coração de ódios, rancores, mágoas, ciúmes insensatos, e poderemos tornar mais suave e proveitoso nosso tempo por aqui.

Como sempre, me empolguei. Suas excelentes postagens, sempre me fazem pensar, que posso fazer?

Grande Abraço

Denize

MARIA COSTA disse...

Bom dia Adolfino

Não conhecia essa história biblica, é é muito triste, onde existe varias crimes nessa historia, o incesto, o estupro,o homicidio, que nao tem nada haver com histórias de amor.A paixão pode deixar louco uma pessoa, ja o amor deixa sereno e acalma.O amor exige respeito, já a paixao exige posse.Só o amor salva mesmo, já a paixao pode levar para o abismo.
Bjs no coração

O Garoto do Blog. disse...

è verdade mo ça o amor verdaderiro não tem maldade ele sempre quer o bem da pessoa amada seja perto ou longe desdeq ue esta feliz quem ama se sente muito feliz por ela tambem e segui-se seu rumo em busca da sua felicidade tambem mais tudo aconteceu do jeito que estava escrito pra que se cumprisse a profecia do profeta ordenado por DEUS...

Beijin

Sinceramente: O Garoto do Blog.

JORNALISMO ANTENADO disse...

Olá Adolfino lendo esse trecho da biblia que confesso não ter conehcimento, fico pensando em quantas Tamares ao longo dos séculos não foram estupradas pelo mesmo desejo de luxúria apenas. Porque não pode-se dizer que existisse algum tipo de amor nese sentimento que levou a um ato tão absurdo. O amor pode ser o amior dos sentimentos e também o pior dos conselheiros se estiver no coração e alguém doente de alma como era o caso.
Parabéns pela postagem.
Márcia Canêdo